sábado, 1 de novembro de 2008

FUGA DE SOBIBOR (Escape from Sobibor - 1987)



Comprei esse filme numa promoção do Extra, e não sabia nada sobre ele. Como vi que tratava de assunto relevante para minhas aulas no 1º grau (2ª Guerra Mundial), quis correr o risco com o produto.
Vi e gostei bastante. Mas não imaginei que minhas crianças gostariam mais ainda. A ponto até de um deles me pedir uma cópia.
O filme conta como se deu a fuga em um dos muitos campos de concentração em que os nazistas tripudiavam os judeus sem piedade. A seqüência de atrocidades cometidas é muito impressionante. Cito uma cena, em particular, que teve o dom de emudecer uma 8ª série de último bimestre (quem dá aula para 8ªs sabe que, no último bimestre, há uma tendência à dispersão ainda maior dos alunos, que se sentem próximos da formatura). Um dos oficiais alemães consegue pegar judeus que tentavam fugir. Coloca todos os outros judeus do campo de concentração no pátio, e diz que executará os malfadados fugitivos. Para "dar exemplo", ordena que cada um dos condenados à morte escolha mais um para morrer junto. Depois da recusa inicial dos sentenciados, ele argumenta que essa escolha pouparia uma mais perniciosa, na qual ele próprio escolheria 50 para serem fuzilados. Para evitar isso, os fugitivos escolhem, cada um, um outro indivíduo entre os que estão à sua frente. A cena é longa, terrível e tensa. Meus alunos a acompanharam até o fim em silêncio. Depois, eu ouvia: "eu não escolheria ninguém", "seria pior", "eu escolheria os mais velhos", "que absurdo", e outros comentários que indicam percepção do impacto ético dessa decisão.
A maior qualidade de "Fuga de Sobibor" parece-me justamente essa: de conseguir impactar o espectador diante de um tema já tão discutido e comentado, mas que nunca perde sua atualidade: até onde o homem pode ser cruel com seu semelhante.

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